Alan fica fora da final dos 200m e não vê peso como problema

Eliminado precocemente nos 100m, brasileiro vai mal também em sua especialidade


Por: Globo.com Em 12 de setembro, 2016 - 18h37 - Paralimpíadas

Ainda era possível sentir aquele gosto amargo. Ser eliminado antes da final dos 100m dos Jogos Paralímpicos em casa não estava nos planos de Alan Fonteles. Três dias após a frustração que o tirou da briga por medalha, o velocista da classe T44 voltou a competir, mas não conseguiu se reinventar na pista do Engenhão. Nos 200m, prova em que se apresentou ao mundo ao derrotar o mito Oscar Pistorius em 2012, fez apenas 22s63, o nono tempo no geral, insuficiente para avançar à final e defender o título conquistado em Londres 2012.

Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB

Alan afirmou ter sentido uma fisgada no músculo posterior da coxa direita ao fazer a curva. Foi ficando para trás, vendo os adversários abrirem vantagem. Foi apenas o quinto colocado da segunda bateria. Mais uma vez, voltou a negar que o excesso de peso, assunto que o persegue desde que tirou um período sabático na carreira, tenha sido o problema.

'Eu acho que fisicamente vocês podem estar vendo muita diferença, mas em tempo não vejo diferença alguma. Eu acho que foi a lesão que me atrapalhou. Se você for analisar, há dois meses fiz a marca que fiz na semifinal de Londres. Estava evoluindo. Agora era uma evolução bem maior correr 21s40, 21s30. Por conta dessa dor não consegui fazer meu melhor, tanto que fiz uma das piores marcas da minha vida. Eu fui prata nessa prova ano passado no Mundial, e agora com o tempo do Mundial eu entraria facilmente. Mas senti esse incômodo e acabei não entrando.'

A organização do evento chegou a anunciar a desclassificação do brasileiro, mas voltou atrás antes mesmo de divulgar o possível motivo. Não faria muita diferença, já que apenas os donos dos oito melhores tempos avançariam à briga por medalhas. 

Se após perder a vaga nos 100m Alan passou batido pela área de entrevistas, desta vez atendeu pacientemente aos jornalistas. Frisou o quanto pôde que a preparação para os Jogos estava dentro dos planos. Admitiu, porém, que talvez a pausa na carreira ainda tenha seus reflexos.

Foto: Marcelo Regua/MPIX/CPB

'O atleta tem seus altos e baixos, suas frustrações e alegrias. Em Londres eu ganhei, Mundial no ano seguinte ganhei tudo, bati recorde mundial. São escolhas que a gente faz na vida. Acertei, errei, estou aqui admitindo o erro que fiz. Me preparei, me dediquei aos 200m. Infelizmente acabei sentindo esse incômodo na perna e acabei não me classificando para a final dos 200m. Agora é erguer a cabeça. Ano que vem tem Mundial, Depois Paralimpíada. Ainda vou ter duas ou três Paralimpíadas para poder correr. A gente vai aprendendo. Poderia em vez de ter tirado cinco meses, ter tirado quatro. Eu era campeão paralímpico, campeão mundial, recordista mundial com 22 anos. Era muita coisa para lidar naquele momento. São erros e acertos.'

Na prova dos 100m, sua estreia  no Engenhão, Alan também havia ficado com o nono tempo no geral, o que o deixou fora da decisão. O brasileiro correu 11s26, chegando a desacelerar no fim, e perdeu a vaga no desempate por milésimos.

'Nos 100m muita gente falou que não fui bem, mas foi uma tática que eu errei. Achei que estava entre os três, quando olhei para o lado um atleta me ultrapassou. Foi uma tática errada que acabou me prejudicando.'

Enquanto Alan tenta a recuperação para disputar o revezamento 4x100m T42-47, outros oito atletas brigarão pelo título que foi do brasileiro em Londres. O mais veloz da noite nos 200m foi o neozelandês Liam Malone, que venceu a bateria de Alan com 21s33. A final, no entanto, será dominada por americanos e alemães, com três representantes cada. O balizamento fica completo com o grego Michail Seitis.