Após uma ‘seca’, chance de redenção na natação

Ao todo, a natação em Jogos Paralímpicos deu ao Brasil 83 medalhas


Por: Extra Em 08 de setembro, 2016 - 08h54 - Olimpíadas

Os atletas da natação olímpica deixaram vazia de medalhas a piscina do Parque Aquático, reocupada a partir de agora pela Paralimpíada. A expectativa é tão alta quanto o primeiro lugar do pódio, que pode ser alcançado hoje pelo multimedalhista e mais bem-sucedido atleta paralímpico brasileiro, Daniel Dias, nos 200m livre masculino S5 (deficiência física).

Daniel é a estrela, vai nadar pelo tricampeonato consecutivo da prova e acumula nada menos que 16 medalhas (11 de ouro) desde Pequim-2008 em diversas provas e classes. Mas a natação paralímpica brasileira tem mais peso ainda que todo o metal conquistado por Daniel em sua carreira. Para provar isso, a meta da comissão técnica é ambiciosa: chegar a 34 finais, o mesmo número de atletas na equipe. Tudo para enxugar as lágrimas da natação olímpica, que nada ganhou no Rio-2016, apesar de ter feito oito finais.

Foto: Marcio Rodrigues/CPB/24-8-201

— Eu acho que eles têm essa responsabilidade, porque todos esperavam ver os brasileiros ganharem provas, subirem ao pódio na Olimpíada... Além do hino brasileiro, que não tocou. Eles têm talento para isso, e tudo o que fazemos além dos treinos é tentar tirar um pouco a pressão, mas estamos todos prontos — disse Leonardo Tomasello Araújo, principal técnico da equipe, reforçando a meta ousada da seleção. — Temos 34 atletas, nossa maior delegação em Jogos. Então, queremos fazer 34 finais, o que equivale a cada um chegar à decisão em sua classe principal. A cobrança é grande, mas é um bom combustível, assim como as mensagens e a vibração do público.

Chance de pódio no atletismo e no judô

Das 28 medalhas de ouro conquistadas pela natação paralímpica na história, 17 pertencem à dupla Daniel Dias e Clodoaldo Silva, que têm seis ouros desde Sydney-2000. Apenas Cesar Cielo foi campeão olímpico na natação, com o título em Pequim-2008, nos 50m livre. Cielo até visitou a delegação às vésperas dos Jogos, mas a natação paralímpica, ao longo dos 16 últimos anos, forjou seus próprios mitos.

— O primeiro fato foi o surgimento do ídolo, Clodoaldo Silva (13 medalhas ao todo). Um fora de série. O que ocorreu depois que ele ganhou seis medalhas em uma edição (Atenas-2004) foi que o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) não deixou a onda acabar e desenvolveu um trabalho como base no fora de série, no carisma dele, e veio a continuidade com o Daniel — explicou Leonardo. — São capazes de encher uma arena. Eles levam a torcida a pagar ingresso, porque todos querem ver os campeões. Na sequência, vieram Joana Maria Silva, Felipe Andrews, André Brasil, Edênia Garcia e a nova geração, com Talisson Glock, Ítalo Pereira, Matheus Souza, Mariana Araújo e outros...

Ao todo, a natação em Jogos Paralímpicos deu ao Brasil 83 medalhas. A modalidade é a segunda mais premiada em Jogos, atrás do atletismo, com 109. O trabalho de excelência desenvolvido pelo CPB virou exemplo para a equipe brasileira de natação olímpica, que fez a aclimatação para o Rio-2016 no Centro de Treinamento Paralímpico do Brasil, em São Paulo.

— Não é uma inversão. Ou seja: não é que estamos dando exemplo, é uma troca de informações. Eu já trabalhei com o Albertinho Silva (técnico da seleção olímpica) e conversamos sobre a possibilidade de uso do centro. Mas é um trabalho que deu certo, sim. Porque já tivemos que usar muito os clubes, e agora temos uma boa estrutura — contou Tomasello.

Com brasileiros em dez provas hoje (eliminatórias de manhã e finais à noite), a natação já tem pódio e emoção no primeiro dia. E certeza de medalhas para o Brasil.

Também hoje o país pode subir ao alto do pódio em sete provas do atletismo, com destaque para Odair Santos nos 5.000m T11 (cego total); e no judô, nas categorias 48kg (Karla Cardoso), 52kg (Michele Ferreira), 60kg (Rayfran Mesquita) e 66kg (Halyson Bôto).