Atletas defendem a renovação do programa Bolsa Pódio

Com o fim do investimento, mais de 200 atletas devem parar de receber o benefício


Por: Extra Em 21 de agosto, 2016 - 10h47 - Olimpíadas

O investimento recorde feito pelo Governo Federal na preparação de atletas brasileiros nos últimos anos colaborou para que o país atingisse sua melhor participação em Jogos Olímpicos na história, com seis ouros até agora.

Foto: O Globo

Embora aquém da meta estabelecida pelo Comitê Olímpico do Brasil, que previa um lugar entre os dez primeiros no quadro de medalhas, os resultados podem ser considerados expressivos. O futuro, porém, é rodeado de incertezas. Com o fim da Rio-2016, 220 esportistas de alto rendimento devem deixar de receber a Bolsa Pódio, a mais alta categoria da Bolsa Atleta, cujo valor varia entre R$ 5 mil e R$ 15 mil por mês.

— O programa é fundamental para que os atletas se mantenham no topo — afirma Felipe Wu, prata no tiro esportivo: — Recebi a última parcela prevista agora, mas espero que não termine. Faço um apelo para que mantenham. Todos os atletas gostariam muito que o benefício fosse renovado.

No último ciclo olímpico, entre 2012 e 2016, o Governo Federal injetou cerca de R$ 413 milhões em todos os níveis do Bolsa Atleta — um investimento 126% superior ao feito para Londres-2012, quando o aporte foi de R$ 183 milhões. Os resultados são visíveis. Entre os 465 brasileiros classificados para os Jogos, 77% são beneficiados pelo programa. Das 18 medalhas do país no Rio, apenas no ouro da seleção masculina de futebol e no bronze de Maicon Siqueira, do taekwondo, não há dinheiro do Bolsa Pódio.

E de acordo com o ex-nadador Luiz Lima, secretário de esporte de alto rendimento do Ministério do Esporte, há chance de o apelo dos atletas ser atendido.

— A vontade é de manter o programa. Sabemos da importância desse apoio. Em outubro, vamos discutir as novas diretrizes e, se tudo der certo, um novo edital será lançado para renovarmos o incentivo para o novo ciclo.

Forças Armadas se tornam porto seguro

Enquanto segue a indefinição sobre o Bolsa Pódio, muitos atletas se agarram a uma fonte que, em vez de secar, jorra mais dinheiro a cada ciclo olímpico: as Forças Armadas do Brasil. Ao todo, 145 militares representaram o país na Rio-2016: cerca de 30% da delegação. E os resultados impressionam. Das 18 medalhas conquistadas, 12 — 66% — foram por atletas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

— Sem esse apoio, eu certamente não teria chegado a essa medalha de ouro — afirma o campeão olímpico do salto com vara, Thiago Braz, que, aos 22 anos, é terceiro sargento da Aeronáutica.

Os atletas começaram a ser recrutados pelas Forças Armadas em 2008, para os Jogos Mundiais Militares de 2011. Desde então, o Programa Atletas de Alto Rendimento cresceu. Atualmente, o investimento gira em torno de R$ 18 milhões ao ano, mas deve aumentar.

— É um recurso essencial. No caso do judô, por exemplo, um quimono custa cerca de R$ 1.500, e nós precisamos de quatro deles para participar de uma competição — explica Rafaela Silva, medalha de ouro no Rio.

Para se tornar um militar temporário, por um período de oito anos, o atleta se candidata por meio de um edital. Aceito, entra com a patente de terceiro sargento e salário em torno de R$ 3 mil.

O número de militares nos pódios da Rio-2016 chamou a atenção por uma peculiaridade: a continência. O gesto é controverso. Embora não haja objeção por parte do Comitê Olímpico Internacional, muitos patrocinadores não aprovam a atitude.

— Quem critica não sabe nem o que significa a continência — defende Wu.