Fronteiras Cambiantes: trabalho traçado pelas ruas da cidade

Nelson Carvalho abre sua primeira individual com desenhos a nanquin


Por: O Liberal Em 31 de agosto, 2016 - 01h35 - Exposições

A exposição “Fronteiras Cambiantes”, do arquiteto e desenhista Nelson Carvalho será aberta hoje, na Casa do Fauno (Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa). É a primeira individual de Nelson Carvalho, artista que traz no traço, as expressões arquitetônicas e oníricas de uma cidade olhada por ele, desde a infância. A noite conta ainda com show do Trio Jazzvairado, formado pelos músicos Bob Freitas (guitarra), Cássio Lobato (bateria) e Mário Jorge Garcia (contrabaixo). A programação se inicia às 19h e a música ao vivo, às 22h. 

“Fronteiras Cambiantes” traz desenhos de fachadas de prédios antigos, visões de um patrimônio arquitetônico e praças, tudo riscado a nanquim, traduzindo a cidade pelo olhar de Nelson Carvalho. “É o meu mapa sentimental com essa cidade; é meu olhar curioso. São as minhas fronteiras, que estão sempre mudando e me permitindo experimentar cada vez mais”, diz o artista.

As mais de 20 imagens que estão na exposição se remetem às andanças de Nelson Carvalho, pela orla, nas entranhas dos bairros históricos ou pelo centro da cidade, em que foi percebendo as edificações em contextos arquitetônicos e paisagísticos que o estimularam a desenhar.

“Talvez a gente não reconheça de cara, nem todos os desenhos são tão evidentes, alguns são muito livres, meio malucos”, brinca. “Alguns são abstração pura, mas também são exercícios para uma gramática de desenho, uma assinatura de desenho, um jeito de dialogar com meus demônios”, diz Nelson Carvalho que ainda criança veio para Belém, passando sua infância e adolescência entre as décadas de 80 e 90, percorrendo as várias ruas, descobrindo a cidade.

Reprodução

“Eu sou do Piauí, mas Belém é que me construiu como pessoa, é minha referência, é vital para minha existência, ela que me faz existir como arquiteto, artista e alguém que olha pra cidade tentando traduzi-la pessoalmente e agora é o que vai aparecer nos desenhos”, diz o artista.

“Fronteiras Cambiantes” é a primeira exposição do artista, mas vem fechar um ciclo de uma década. “Faz muito tempo que desenho, há dez anos eu diria que de forma mais consistente. Eu já desenhava antes disso, mas agora é diferente, existe uma questão de honestidade do traço que se manifesta de um jeito muito verdadeiro”, diz o artista. “Faço os desenhos de memória. Tem uma verdade construída ali, a partir do meu contato com a arquitetura, que se mostra evidente no meu desenho, ela é real”.

Carreira

A carreira foi impulsionada no final dos anos 1990 com a menção honrosa recebida em concurso nacional para reforma do Complexo do Ver-o-Peso, o que levou Nelson Carvalho rapidamente à arquitetura na área do patrimônio.

“Não levamos o primeiro lugar, mas fomos o único projeto classificado na região Norte”, comenta o arquiteto que acabou trabalhando na implantação do projeto vencedor, que até hoje está lá e ainda a atuou como arquiteto nas obras do Memorial dos Povos, Palacete Bolonha, Palacete Pinho, Ver-o-Rio, enfim, em obras da prefeitura situadas do Tucunduba ao centro da cidade.

“Isso tudo que obviamente vem bater na minha memória e no meu encontro com a cidade. Desencad