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Pequena ajuda em nome da imensa fé

Fiéis costumam doar à Igreja para agradecer à Virgem Santa


Por: O Liberal Em 19 de outubro, 2017 - 10h50 - Círio

Adriano Nascimento

Um eletricista recém-operado de um câncer no intestino grosso; a aposentada que aos 78 anos de idade conseguiu se curar de um câncer de mama e uma farmacêutica que se apresenta como católica fervorosa, respectivamente, Mauro de Almeida Pacheco, 47; Raimunda Costa Vieira, 78, e Maria Francisca Leal, 42, têm histórias de vida distintas, mas um único entendimento em comum. Eles são devotos de Nossa Senhora de Nazaré e gratos pelo que conseguiram em suas vidas até hoje. Em retribuição, voluntariamente, os três têm o hábito de ajudar a Igreja Católica financeiramente, com valores pequenos, mas de modo regular e constante. 

“Tem muita gente que contesta isso (doações financeiras), mas é aquela coisa, quando se dá de coração o que vale é o gesto, para mim, o importante é o meu gesto. Eu acredito nisso’’, justifica-se o eletricista Mauro Pacheco,  nascido em Muaná, no Marajó, e que tem vindo regularmente a Belém para tratamento de quimioterapia no Hospital Ophir Loyola, desde que operou um câncer de cólon, que atingiu uma parte do intestino grosso, há cinco meses. A doença é curável se tratada precocemente. 

O trabalhador assegurou que este ano no Círio não vai pedir, só agradecer. “Eu cheguei agora há pouco, vim aqui rezar, tenho quimioterapia às 14h no hospital’’, disse ele na manhã nublada de 26 de setembro passado, entre orações na Basílica de Nazaré. Mauro contou que sua cirurgia no Ophir Loyola foi de alto risco. O problema de saúde é hereditário. Ele perdeu a mãe e o irmão mais novo para o mesmo tipo de câncer. 

‘’Eu fui a bola da vez, reagi bem e estou levando a sério o tratamento. O melhor do meu tratamento foi me voltar para a Igreja e me ajoelhar aos pés de Nossa Senhora e pedir ajuda. Eu já era envolvido com a Igreja, mas agora estou mais’’, reconhece o eletricista, que usa sua habilidade técnica para contribuir com os preparativos do Santuário construído para Nossa Senhora de Nazaré, em Muaná, cujo círio local ocorreu no domingo passado. 

Mauro ajuda no trabalho de iluminação da igreja em sua cidade. “É um círio que dá muita gente a cada ano, e a minha missão é ajudar como posso nos trabalhos, eu sou ex-funcionário da Celpa, então, consigo ajuda com os amigos. Eu tenho esse compromisso com Nossa Senhora e agora mais porque eu recebi uma bênção de pular um fogueira, e conforme eu tenha eu contribuo, seja trabalhando, seja financeiramente, porque a Igreja vive de doações, a gente tem de ajudar’’, diz.

GRAÇAS

Com os quatro filhos criados, e agora dois netos pequenos, a enfermeira aposentada Raimunda Costa Vieira, moradora da Cidade Nova 5, em Ananindeua, garantiu que enquanto tiver forças acompanhará o Círio de Nossa Senhora, carregando uma casa e um seio, de cera, em retribuição à sua casa própria e à cura de um câncer na mama, há mais de 10 anos. ‘’A gente tem dificuldades na vida, e eu vou fazendo meus pedidos e eles vão sendo realizados, quando Ela acha que deve me ouvir’’, disse dona Raimunda, que pelo menos, uma vez por semana, vai à Basílica e contribui com dinheiro no ofertório. 

“Pode ser um real, dois, cinco, dez, às vezes até mais, quando eu posso eu ajudo no ofertório’’, afirmou a aposentada, que ainda colabora mensalmente com a Associação dos Devotos de Nossa Senhora de Nazaré (Adenaza), entidade criada há 12 anos para atuar com um braço social da Basílica Santuário de Nazaré. “A Igreja precisa de nossa ajuda, uma vez que a gente é devota, precisa contribuir. Eu pedi para ela que nos mostrasse uma casa, que o meu filho pudesse comprar, pedi essa graça e a gente conseguiu, é a casa que a gente mora hoje, então todo ano no Círio eu pago a minha promessa. Além disso, eu fiz a cirurgia da mama, pedi a ela que tudo corresse bem e ela me atendeu, no decorrer dos tempos eu não sinto nada, graças a Deus, minha operação foi bem-sucedida e eu prometi para ela, enquanto vida tiver, acompanhar o Círio’’, afirmou dona Raimunda.

A farmacêutica Maria Francisca Leal compartilha do hábito de ajudar financeiramente a Igreja na medida do possível. “Sempre que eu venho, eu ajudo na missa, é um costume. O que eu posso no momento, eu dou. Acho importante porque isso é de Deus, porque tudo que temos hoje foi nos dado por Deus, por esse motivo, devemos retribuir. A fé nós já temos, mas o Círio é aguardado por nós o ano todo, então, ele fortalece nossa fé, tudo aflora, é um momento especial’’, opinou a farmacêutica há oito anos, que também rezava na Basílica de Nazaré uma semana antes da realização do Círio de Nazaré.