Phelps evita se colocar entre as lendas e mira em Jordan

Nadador elege o ouro nos 200m borboleta como seu melhor momento no Rio e agora só pensa na família


Por: Globoesporte.com Em 21 de agosto, 2016 - 12h36 - Olimpíadas

Vinte e quatro anos de braçadas. As braçadas mais incríveis de todos os tempos na natação. Assim Michael Phelps se despediu das Olimpíadas em sua passagem pelo Rio de Janeiro. Com mais cinco ouros conquistados em águas cariocas para fechar a coleção de 23 na carreira, além de três pratas e dois bronzes, o maior nadador da História ainda hesita na hora de se acomodar na prateleira dos mitos.

Foto: Divulgação

Ao contrário de Usain Bolt, uma lenda que se diz lenda o tempo todo, Phelps deixa a decisão para o público. E consegue até assumir uma postura de fã. Pelo menos quando o ídolo é um tal jogador de basquete que usava a camisa 23 do Chicago Bulls.

- Eu me considero sortudo por ter conseguido todos esses feitos. Cabe a vocês decidir se alguém é uma lenda ou não. Eu sou apenas alguém muito feliz com sua carreira. Michael Jordan é o cara que eu sempre tive como modelo durante a vida. Ele é o maior. O que ele fez pelo basquete mudou completamente o esporte. Era isso que eu queria fazer na natação. Pude ver várias mudanças nesse tempo e quero ver muito mais mudanças no esporte no futuro – afirmou Phelps durante a semana em entrevista na função de embaixador Omega, na casa montada pelo patrocinador na Zona Sul do Rio.

Em poucas horas, Phelps recebeu dezenas de jornalistas, organizados em grupos de três ou quatro, que se revezavam para entrevistá-lo em uma sala pequena no prédio da Casa de Cultura Laura Alvim, na praia de Ipanema. O tempo era curto, mas o entrevistado estava tranquilo. Com uma camisa de botão cinza, calça branca e tênis azuis, o nadador americano parecia aliviado após sua última jornada olímpica. 

- Quando vim para o Rio, eu tinha números que queria atingir, tempos que queria fazer. Queria poder olhar para a minha carreira e me sentir feliz e satisfeito. É exatamente o que posso fazer agora – avaliou.

Os números de Phelps no Rio são impressionantes. Aos 31 anos, ele conquistou cinco ouros: 200m borboleta, 200m medley, 4x100m medley, 4x100m livre e 4x200m livre. Ainda ficou com a prata nos 100m borboleta, prova com um incrível empate triplo no segundo lugar, ao lado do húngaro Laszlo Cseh e do sul-africano Chad Le Clos – a prova foi vencida pelo garoto Joseph Schooling, de Cingapura.

O momento mais especial no Rio? Ele não hesita.

- Nesta Olimpíada, o ouro nos 200m borboleta foi o mais especial. Poder nadar essa prova em cinco Olimpíadas e terminar com uma vitória é a melhor coisa, o sentimento mais legal – afirmou, citando a prova em que recuperou o ouro perdido em Londres para Le Clos. 

Com as conquistas no Rio, Phelps tem agora 23 ouros e um total de 28 medalhas olímpicas, em cinco participações, sendo que na primeira, em Sydney 2000, tinha apenas 15 anos. De Atenas 2004 em diante, tornou-se uma máquina de subir no pódio.

Agora chega. O americano garante que, daqui em diante, só quer saber de promover o esporte e curtir a família, que veio ao Rio torcer por ele e deu um show à parte nas arquibancadas do Estádio Aquático, principalmente o pequeno Boomer, no colo da mãe.

- Quero que meu filho cresça e seja a melhor pessoa que ele puder ser. Agora, a única coisa que eu penso é ficar com a minha família, o máximo que puder. Quero ficar ausente por algumas semanas. Depois disso, ainda tenho vários objetivos. Quero ajudar a mudar o esporte, levar mais crianças para o esporte, não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo todo. Não só crianças, mas adultos também, até por questão de segurança. Há muitos afogamentos pelo mundo, e isso tem que mudar – promete Phelps.

Ainda durante a entrevista, o nadador brincou com Galvão Bueno e mandou um recado sobre a prova dos 200m borboleta em Pequim 2008. A narração de Galvão ficou famosa pelo "vai perder, vai ganhar, perdeu, ganhou" e virou meme na internet.