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Preconceito e defasagem tecnológica ajudam câncer

Homens resistem ao toque e mamógrafos analógicos dificultam o diagnóstico precoce


Por: O Liberal Em 27 de novembro, 2016 - 08h08 - Saúde

Foto: Fábio Costa/O Liberal

Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Câncer, momento de sensibilizar as pessoas quanto à importância de se submeter aos exames preventivos e de refletir sobre os serviços aos pacientes nas redes pública e privada de saúde. Os focos das campanhas têm sido maior sobre os cânceres de mama e próstata, os que mais atingem mulheres e homens no País. O Instituto Nacional do Câncer José Alencar (Inca) estima em 58 mil novos casos de câncer de mama em 2016. O de próstata está estimado em 69 mil casos, ou 7,8 registros por hora. 

A assessoria de comunicação do Hospital Ophir Loyola informa que, até o final do ano, haverá cerca de mil casos novos de câncer de próstata no Pará, taxa bruta de 24,7 casos a cada 100 mil habitantes, 340 dos quais na capital. A doença não apresenta sintomas e, quando se manifestam, são semelhantes aos de doenças prostáticas benignas.

O deputado estadual Carlos Bordalo (PT) teve a doença e, como pessoa pública, avalia que tem a responsabilidade de falar sobre a importância do exame de toque retal. “Há um preconceito com o exame, mas para identificar a doença é necessário que seja feito”, sintetizou o parlamentar.

Na última quinta-feira, ele participou do seminário “Conscientização: câncer, empoderamento e superação” e disse que falar a respeito da doença amplia o debate e sensibiliza as pessoas. Ele descobriu o câncer há quatro anos, em meio à campanha política. “Eu estava me sentindo fraco, sem vitalidade, mas não sentia sintomas de dor ou qualquer outro tipo. Resolvi fazer exames de rotina e no de toque retal foi identificada a doença”, disse o deputado.

Com apoio da família, o tratamento foi tranquilo e ele faz o acompanhamento médico. 

Morador do município de Parauapebas, sudeste do Pará, José Costa, 62 anos, se trata no Hospital Ophir Loyola desde 2010, após descobrir o câncer há seis anos. “Quando eu descobri ainda estava no início e o meu tratamento foi bem tranquilo”, disse ele. 

Com 76 anos, João Silibramdi está há oito meses em tratamento. Ele sentiu um ardor forte ao urinar e procurou assistência médica. “O PSA (Antígeno Prostático Específico) deu altíssimo, era o câncer instalado. Nessas horas, o apoio da família é essencial, procuro ficar calmo e não faltar à radioterapia”, declarou o paciente.

O especialista em urologia, Ricardo Tuma, diz que as campanhas, em outubro e novembro, alertam as pessoas à necessidade dos exames de rotina. Na questão do câncer de próstata, o inimigo é o preconceito. “Nossa luta é duplicada, pois a gente precisa quebrar o preconceito dos homens em realizar o exame do toque retal”, esclarece o urologista, que considera esseo principal tabu para os profissionais da saúde. 

Com relação ao câncer de mama, o mastologista Licurgo Bastos, da Sociedade Brasileira de Mastologia e de Cancerologia, afirma o exame é essencial, mas é necessário investir em equipamentos modernos, como as máquinas em 3D que identificam o tumor na fase inicial da doença. “A mamografia é o mais importante para a mastologia. Hoje as campanhas trabalham intensamente a consciência, mas o combate ao câncer esbarra na falta de equipamento de alta tecnologia. Nas unidades de saúde pública há mais de 150 mamógrafos analógicos, fabricados na década de 80 e defasados”, alerta o médico. Ele diz que os exames nesses aparelhos antigos torna difícil identificar a doença na fase inicial. O Pará conta com sete aparelhos digitais de ponta, todos na rede privada. “Por meio dos aparelhos digitais é possível identificar o tumor ainda na fase inicial, mas com os aparelhos analógicos não”, pontuou o médico.