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Primeiro atleta dos EUA a se dizer gay vê esporte homofóbico

Jason Collins, ex-NBA, primeiro jogador de uma grande liga americana a ter-se declarado gay


Por: Extra Em 23 de agosto, 2015 - 07h11 - Basquete

Foto: Ana Andrade/Divulgação/Univers / Ana Andrade/Divulgação/Universidade Estácio de Sá

Com a mesma firmeza que enfrentava os maiores gigantes dos garrafões da NBA, como Shaquille O’Neal e Dwight Howard, o ex-pivô Jason Collins fez história ao se tornar o primeiro atleta das maiores ligas dos Estados Unidos a ter-se declarado gay em abril de 2013. Nesta quarta-feira, em evento no Rio, ele declarou que o esporte é ainda um meio hostil aos gays.

— Eu nunca senti preconceito contra mim, diretamente, mas tenho certeza de que ele existe. Ainda não conseguimos pôr fim ao racismo e há homofobia no esporte. Mas, felizmente, houve Martina Navratilova, Billie Jean King e eu mesmo, para que os atletas GLBT se sintam capazes de derrubar estereótipos, preconceitos e ideias erradas e que possam falar com as pessoas — declarou Collins em entrevista ao GLOBO após palestra sobre diversidade e preconceito a alunos de educação física da Universidade Estácio de Sá, no Rio.

Ele e a ala Chiney Ogwumike, americana de origem nigeriana, estão na cidade tomando parte de um projeto sócio-esportivo do Consulado Americano. Durante a palestra, Collins lembrou ter atuado na NBA entre 2001 e 2014, tendo passado por times como New Jersey Nets, Memphis Grizzlies, Minnesota Timberwolves, Atlanta Hawks, Boston Celtics, Washington Wizards e Brooklyn Nets. Quando jogava no Washington, depois de ter assistido a dois casos polêmicos na Suprema Corte, envolvendo homossexuais e resolveu assumir sua condição em artigo na importante revista “Sports Illustrated”. Até então, ele disfarçava suas preferências sexuais, dizendo a companheiros de time que sua namorada morava em outra cidade. Foi o primeiro atleta das grandes ligas dos EUA (as outras são NFL, de futebol americano; MLS, de beisebol, e NHL, de hóquei) a ter-se assumido homossexual.

— Fui proativo e mostrei ao mundo quem eu era. Recebi o apoio de jogadores, como Jason Kidd, do presidente da NBA, Adam Silver, e quando fui para o Brooklyn Nets em 2014, fui contratado porque eles me consideravm um bom jogador e bom companheiro de time. Eles me apoiaram e me aceitaram, e depois dos jogos, podia conversar com meu namorado no vestiário. Eu tive a sorte de ser aceito pela minha família, e eles (os amigos) se tornaram minha nova família — relatou. — Eu cresci numa família muito religiosa e temia que meus parentes pudessem uar a religião para me afastar deles. Mas as religiões devem ser maneiras de unir as pessoas, e foi isto o que aminha família fez. Não importa a raça, a religião, ou o que for, mas sim como você compete, se você melhora o time e se é um bom companheiro de equipe. Para a sociedade, interessa que você seja uma boa pessoa.

Na palestra, um professor de educação física perguntou a Collins como agir com um atleta gay de sua equipe que não se declara como tal, mas que foi ofendido pela torcida adversária durante um jogo. Collins, que vem trabalhando como palestrante para a NBA em empresas e universidades, manifestou seu ponto de vista.

— Primeiramente, apoiem o atleta, você como técnico e os seus companheiros de time. Se vocês perguntarem diretamente, ele pode não estar pronto para se declarar. Mas vocês têm de criar um ambiente e sinalizar a ele que lhe darão seu apoio. Pode até comentar que esteve comigo. Quando ele for ofendido, vá diretamente a quem o ofendeu e pergunte por que está xingando seu atleta — argumentou. — Procurem criar um espaço seguro para ele no time e criem uma cultura de aceitação e de inclus&