Seleção Brasileira se adapta à grama sintética no Pan

Equipe de futebol masculina venceu com duas goleadas no início da disputa, mas sente as diferenças do gramado de Hamilton


Por: Globoesporte.com Em 17 de julho, 2015 - 09h04 - Pan-Americano

Quem vê os resultados do Brasil nos dois primeiros jogos do Pan de Toronto nem percebe que a seleção de futebol está jogando fora de seu ''habitat natural''. O estádio de Hamilton é de grama sintética, diferente das utilizadas normalmente pelos atletas que compõe o grupo. A questão já foi previamente observada pela comissão técnica, que realizou trabalhos de adaptação. Mas, mesmo assim, os jogadores sentem uma diferença durante as partidas. Com dois jogos e duas vitórias, o time decidirá o primeiro lugar do Grupo A na segunda-feira, diante do Panamá.

- É ruim. A gente não gosta. Eu também joguei o Mundial sub-17 na grama sintética e foi horrível. Mas já estamos treinando há mais de suas semanas na Granja Comary, que tem um campo assim. Estamos acostumados, mas não é o ideal. É difícil de dominar a bola, fica muito viva e mais no ar. Mas, tudo bem, acho que a gente adaptou legal  - explica Lucas Piazón, após o triunfo por 4 a 0 sobre o Peru.

Brasil Canadá Toronto futebol Pan (Foto: GloboEsporte.com)

O técnico Rogério Micale explicou alguns dos principais efeitos que surgem neste tipo de campo. As mudanças podem variar se o gramado estiver ou não molhado. Ele também observa uma situação distinta da habitual, mas diz que a adaptação vai diminuindo o estranhamento.

- É diferente. Nossos jogos são em grama natural. Tem uma forma de jogar diferente. O campo fica mais rápido. Às vezes mais lento, se chove ou não chove. Não é o mesmo que o natural. Realmente, atrapalha um pouquinho. Mas a partir do momento que você começa a adquirir uma adaptação, começa a minimizar isso - disse o técnico

No fim do ano passado, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) chegou a dizer que o time brasileiro de futebol não disputaria o Pan justamente por conta da grama sintética. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no entanto, decidiu mandar seu time para a disputa do Canadá. Antes mesmo de viajar, os jogadores fizeram um trabalho forte em um campo de grama sintética que fica dentro da Granja Comary, o que fez com que ajudou a diminuir os efeitos dessa mudança. 

Zagueiro do time brasileiro no Pan, Bressan é outro que aponta os percalços desse tipo de gramado. Segundo o jogador do Flamengo, as mudanças costumam afetar, sobretudo, no âmbito defensivo das partidas. No entanto, faz coro com o técnico e diz que a equipe está se acostumando.

Com duas goleadas, o time do Brasil já se garantiu nas semifinais do Pan de Toronto (Foto: Estadão Conteúdo)

- É diferente do piso natural. A gente teve sorte de poder treinar na Granja Comary, que tinha esse piso e a equipe conseguiu se adaptar muito bem. Muda um pouco porque a bola quica mais, torna o jogo mais rápido e mais perigoso. Principalmente defensivamente. Mas a equipe tem conseguido suportar muito bem e a questão já está totalmente anulada - disse Bressan.

Luan sente 'dorzinha chata'

Outro zagueiro do time, Luan diz que a mudança até surtiu pequenas dores em seus pés. Autor de um dos gols do Brasil sobre o Peru, nesta quinta-feira, reitera que isso não atrapalha a seleção brasileira na hora de apresentar um bom futebol.

  - A CBF já deu essa estrutura para a gente no Brasil. Dói um pouquinho a sola do pé. Eu particularmente estou com uma dorzinha chata que tem incomodado desde os treinamentos de lá. Mas a gente releva, o grupo é muito bom  e o professor tem implantando um grande sistema e tentado mudar nosso pensamento. Estamos acatando muito bem. A gente não é acostumado, mas não é desculpa para não apresentar um bom futebol - contou Luan. 

A questão do gramado sintético já havia repercutido no mês passado no Canadá. O país sediou a Copa do Mundo de Futebol feminino. Na época, algumas atletas levantaram a mesma questão e alegaram que o campo atrapalhava.

Com o triunfo por 4 a 0 sobre o Peru, o Brasil pula para seis pontos, com oito gols marcados e um sofrido. Na primeira colocação do grupo, decidirá com o Panamá a liderança. O próximo compromisso do time de Rogério Micale está marcado para segunda-feira, às 18h30 (de Brasília), novamente em Hamilton.