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Thyê desembarca no Rio depois de acusação de abuso sexual

Investigado no Canadá, goleiro reserva da seleção brasileira de polo aquático é recebido por ex-técnico e seu pai na volta ao país e não fala


Por: Globoesporte.com Em 26 de julho, 2015 - 17h03 - Pan-Americano

Na saída do desembarque, pouco antes das 15h (de Brasília), os primeiros passos foram comedidos.  Ao ouvir seu nome, gritado por amigos que tentavam agilizar sua saída, e ver a movimentação da imprensa, Thyê Mattos se apressou para deixar o saguão do Aeroporto Internacional do Galeão, depois de ter deixado Kazan, na Rússia, onde o Brasil se prepara para o Mundial de esportes aquáticos. Acusado de abusar sexualmente de uma canadense de 22 anos, no dia 16 de julho, horas depois da briga pela medalha de ouro contra os Estados Unidos nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, o goleiro reserva da seleção brasileira de polo aquático estava visivelmente abalado na chegada ao Rio de Janeiro neste domingo.

De óculos escuros, camisa esportiva e apenas mochila, sem bagagem, o jogador deixou o local escoltado por amigos e por Carlinhos, seu primeiro treinador no Fluminense. O pai de Thyê, Sérgio Bezerra, fez contato com o filho por telefone, explicou o esquema montado para protegê-lo e o aguardou dentro de um carro estrategicamente estacionado. Nenhum representante da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) ou do Comitê Olímpico do Brasil (COB) apareceu para dar assistência ao atleta, e ele não quis falar com a imprensa. Havia a preocupação no trajeto para o Brasil de que pudesse ser detido em algum país com tratado de extradição com o Canadá.

- Falo dele o que falaria das minhas filhas, pois o considero um filho. Nunca tirou um palito fora do lugar. É amigo dos amigos. Querido e amado por todos. O que deixa todo mundo revoltado é a acusação sem provas. Se tem prova, você vai lamentar, mas sem provas é condenar com antecedência e não aceito isso com ninguém. Uma exposição pública. A polícia canadense sabia que ele não estava mais lá. Era só fazer uma ligação para o COB ou para o comitê canadense. Ele passou pelo aeroporto. Por que não fizeram isso antes de ele sair do país? É uma coisa nebulosa. Enquanto não houver nada em contrário, eu e comunidade do polo aquático somos 100% Thyê - afirmou Carlinhos.

Desde a divulgação do caso, Thyê recebeu o apoio da comissão técnica da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e também dos companheiros de seleção. O advogado da CBDA, Marcelo Franklin, afirmou que trabalha a defesa do jogador em cima de que "não houve relação nenhuma com a menina". O Comitê Olímpico do Brasil (COB) emitiu nota lamentando a acusação, mas aguarda a definição das investigações e se colocou à disposição das autoridades canadenses, que querem a extradição do goleiro.

A seleção brasileira fez, no sábado, o primeiro treino sem a presença de Thyê. O assunto delicado é deixado um pouco de lado enquanto o grupo tenta focar no Mundial de esportes aquáticos. O Brasil, prata no Pan de Toronto, estreia às 4h50 da madrugada de segunda-feira (horário de Brasília), contra a China, com transmissão ao vivo do SporTV.

Entenda o caso - Thyê Mattos foi acusado de abuso sexual pela polícia do Canadá nesta sexta-feira, em Toronto, onde estão sendo disputados os Jogos Pan-Americanos de 2015. Uma mulher, de 22 anos, acusou o brasileiro de tê-la abusado na madrugada ou pela manhã do último 16, quinta-feira, um dia depois da derrota do Brasil para os EUA na disputa pela medalha de ouro.

De acordo com a polícia canadense, em declaração da inspetora de crimes sexuais, Joanna Beaven-Desjardins, o brasileiro esteve na casa da vítima na data informada na companhia de outro atleta, que não teve a identidade revelada, e outra mulher. No local, Thyê teria aproveitado da vítima estar dormindo para abusá-la sexualmente, indo embora na sequência. Com a identidade preservada, a responsável pela acusação alegou ter sido abusada enquanto estava dormindo.

Thyê negou a acusação e ficou muito abalado com o episódio. O atleta não concedeu entrevista, mas confirmou à comissão técnica da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos ter se relacionado com a vítima de forma consensual, garantindo ser inocente.   

A polícia canadense garantiu ter evidências suficientes para incriminar o atleta brasileiro e já emitiu ordem de prisão. Joanna Beaven-Desjardins já entrou em contato com autoridades brasileiras pedindo apoio para uma extradição. De acordo com o site da Polícia do Canadá, "todo aquele que comete uma agressão sexual é culpado de infração grave, passível de prisão por um período de, no máximo, dez anos ou de delito punível e passível de prisão por, no máximo, 18 meses”. Porém, Joanna disse que a pena máxima para o crime é de 15 anos.